Por Paula Litaiff
05 de novembro de 2024 às 08:10
Indígena da etnia Mura (Composição: Weslley Santos/Cenarium)
Os efeitos da crise climática reforçam a ideia de que a proteção das florestas é a saída para a sobrevivência humana na terra, e não há proteção de ecossistemas sem resguardar a vida de quem está na linha de frente desta guerra: os povos indígenas e, especialmente, as etnias que decidiram não estabelecer contato com não indígenas, chamados de povos isolados, que são os grandes guardiões das florestas.
A professora e escritora indígena Eliane Potiguara, 74, explica, na obra “Metade cara, metade máscara” (2004), que “Um território não é apenas um pedaço ou uma vastidão de terras. Um território traz marcas de séculos, de culturas, de tradições. É um espaço ético, não é apenas um espaço físico como muitos políticos querem impor. Território é vida, é biodiversidade, é um conjunto de elementos que compõem e legitimam a existência indígena”.
O conteúdo especial desta edição da REVISTA CENARIUM alerta a sociedade para o risco de morte de indígenas isolados no território da Amazônia, entre os municípios de Silves e Itapiranga (AM), que levou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) a recomendar “a suspensão imediata das atividades de exploração de gás da empresa Eneva e do plano de manejo florestal da empresa Mil Madeiras”.
As invasões mercantilistas, missionárias, latifundiárias do passado e do presente têm gerado o genocídio dos povos indígenas no Brasil sob a justificativa demagógica de desenvolvimento econômico, um desenvolvimento que chega apenas a um grupo seleto de pessoas, quando a maioria da população é explorada, cooptada e relegada à margem social.
De janeiro a março de 2024, a Eneva registrou uma receita líquida de R$ 2 bilhões e, nesse período, a CENARIUM foi à região onde a empresa tem operação no Amazonas, no município de Silves, e se deparou com um alto registro de desemprego, e com moradores em vulnerabilidade social, buscando sustento em um lixão, ao lado da empresa.
Não vivemos mais no período da invasão portuguesa ao Brasil, no ano de 1500, quando exploraram a nossa terra e assassinaram nossos antepassados em troca de espelhos. É preciso que tenhamos enraizado entre nós a ideia de pertencimento territorial e entendamos que proteger os guardiões das florestas é proteger a humanidade.
O assunto foi tema de capa e especial jornalístico da nova edição da REVISTA CENARIUM. Acesse aqui para ler o conteúdo completo.
Paula Litaiff é jornalista, pesquisadora, empresária da comunicação e uma das principais referências do jornalismo independente voltado à Amazônia brasileira. Com mais de duas décadas de atuação profissional, consolidou sua carreira por meio da produção de reportagens investigativas, da defesa da liberdade de imprensa e da cobertura de temas relacionados à política, meio ambiente, direitos humanos, povos tradicionais e desenvolvimento sustentável. É fundadora e diretora-geral da Revista Cenarium, veículo de comunicação multiplataforma sediado em Manaus (AM), reconhecido nacionalmente pela cobertura especializada da região amazônica.
Natural do Estado do Amazonas, Paula Litaiff é mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), especialista em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos, além de graduada em Jornalismo. Sua formação acadêmica está diretamente ligada às questões sociais, políticas e culturais da Amazônia, refletindo-se em sua produção jornalística e em suas pesquisas voltadas à realidade amazônica.
Ao longo da carreira, especializou-se na cobertura de grandes temas nacionais e internacionais envolvendo a Amazônia Legal. Suas reportagens abordam questões ambientais, mudanças climáticas, desenvolvimento regional, direitos dos povos indígenas, governança pública, economia da floresta, democracia, justiça social e combate à desinformação. Sua atuação contribuiu para ampliar a presença da Amazônia no debate nacional e internacional por meio de uma abordagem baseada em investigação, análise de dados e aprofundamento dos fatos.
Em 2019, fundou a Rede Cenarium, grupo de comunicação que reúne a Revista Cenarium, Agência Cenarium e outros projetos editoriais. O veículo tornou-se referência na cobertura jornalística da Amazônia, produzindo conteúdo multimídia distribuído em plataformas digitais, revista impressa, vídeos, podcasts e reportagens especiais. A linha editorial prioriza o jornalismo investigativo, a defesa dos direitos humanos, a valorização da ciência, da cultura amazônica e da preservação ambiental.
Sua experiência também alcançou o audiovisual. Paula Litaiff colaborou na produção do documentário “Bandidos na TV” (Killer Ratings), lançado mundialmente pela Netflix, obra que investiga a relação entre política, mídia e crime organizado no Amazonas. Posteriormente, passou também a atuar como narradora do documentário em sua versão internacional.
Além da atuação jornalística, Paula Litaiff desenvolve atividades acadêmicas e de pesquisa. É integrante do Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (GEPOS), da Universidade Federal do Amazonas, onde desenvolve pesquisas relacionadas à participação política feminina, gênero e movimentos sociais na Amazônia. Seu trabalho de mestrado sobre mulheres indígenas foi reconhecido em eventos científicos da região Norte. Também é coorganizadora da obra “Gênero, Trabalho e Lutas na Amazônia”, contribuindo para a produção de conhecimento sobre a realidade amazônica.
Como palestrante, participa frequentemente de congressos, seminários e fóruns nacionais voltados ao jornalismo investigativo, inovação na comunicação, democracia, combate à desinformação e cobertura da Amazônia. Entre os eventos em que participou destacam-se o Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji e o Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, debatendo temas como segurança de jornalistas, cobertura socioambiental e fortalecimento do jornalismo regional.
Ao longo dos últimos anos, Paula Litaiff consolidou-se como uma das vozes mais influentes do jornalismo amazônico. Seus editoriais abordam frequentemente democracia, políticas públicas, desenvolvimento sustentável, igualdade de gênero, proteção da floresta e fortalecimento das instituições democráticas, buscando ampliar o debate público sobre os desafios e oportunidades da Amazônia.
Seu trabalho também recebeu reconhecimento nacional. Em 2025, foi indicada ao prêmio 100+ Jornalistas Mais Admirados do Brasil, promovido pelo Portal dos Jornalistas e pelo Jornalistas&Cia., distinção concedida a profissionais que se destacam pela relevância, credibilidade e impacto na comunicação brasileira.
Atualmente, Paula Litaiff segue à frente da Revista Cenarium e de seus projetos editoriais, dedicando-se à produção de jornalismo independente, investigativo e de interesse público, com foco permanente na Amazônia e em temas que influenciam o desenvolvimento social, ambiental e político do Brasil.
Publicado em: 31/07/2026 às 21:02

